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Acessibilidade para deficientes: entenda a importância dos desenhos universais

Acessibilidade para deficientes: entenda a importância dos desenhos universais

Acessibilidade para deficientes, ou melhor dizendo, pessoas com deficiência, está em atos sutis. O propósito imaginado como ideal, na verdade, está longe do conceito de adaptação.

O caminho que a arquitetura acessível vem seguindo passa longe de ações para adaptar espaços inadequados: ela procura garantir que todos os acessos possam ser vencidos por todas as pessoas.

Esse é o conceito do Desenho Universal, que vamos explorar com mais profundidade neste artigo. Não deve haver a necessidade de adaptar nada, pois os espaços foram feitos pensando em todas as pessoas.

Vamos com a gente entender um pouco mais sobre como o desenho universal se encaixa na acessibilidade para deficientes? Então continue a leitura!

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O desenho universal foi concebido pensando na acessibilidade para deficientes?

Esse é um mal entendido muito comum, mas que ainda gera discussão nos círculos de acessibilidade para deficientes pelo Brasil. O Desenho Universal está buscando facilitar a vida de todas as pessoas, não só a das portadoras de deficiência.

Quando pensamos em acessibilidade para deficientes, nossa mente nos leva diretamente para os usos mais corriqueiros de equipamentos para adaptação: rampas de alvenaria ao lado de escadas, elevadores de acessibilidade, rampas portáteis para vencer desníveis, etc.

O Desenho Universal pode até envolver alguns desses equipamentos, mas nunca para mitigar problemas conhecidos. Na verdade, ele existe para que não haja problemas de mobilidade em primeiro lugar.

O Desenho Universal, como seu nome diz, é para que todas as pessoas consigam desfrutar do espaço sem que seja necessário instalar nada ou adaptações futuras. A estrutura já vem pronta.

E outra coisa importante: mesmo que o Desenho Universal beneficie a acessibilidade para deficientes, ele não foi criado exclusivamente para isso. Na verdade, todas as pessoas podem se beneficiar do Desenho Universal quando ele é bem estruturado, com mobilidade reduzida ou não, com ou sem desafios motores, etc.

Como o Desenho Universal funciona?

O termo foi criado pelo americano Ron Mace, ele próprio é um cadeirante e que enfrentava dificuldades de locomoção pelos espaços que frequentava.

Sua empatia é admirável: ao perceber como ele próprio possuía dificuldades de locomoção, questionou quantas outras pessoas não passavam pela mesma situação. Crianças, idosos, grávidas, pessoas com muletas, a lista é interminável.

Foi aí que surgiu a ideia do Desenho Universal e um coletivo de arquitetos que pensavam o mesmo, lá em 1987.

O funcionamento desse modelo é simples e se baseia em sete princípios. Vamos conhecê-lo?

  • O Desenho Universal é igualitário: não só o espaço, mas equipamentos simples – como maçanetas, torneiras, interruptores, etc. – precisam ser de fácil acesso para todas as pessoas;

  • O Desenho Universal é adaptável: o que serve para uma pessoa que se adapta com facilidade para outra;

  • O Desenho Universal é óbvio: assim como nós sabemos como girar uma maçaneta sem precisar pensar muito, os equipamentos universalmente acessíveis também precisam ser intuitivos;

  • O Desenho Universal é conhecido: informações sobre o uso de equipamentos, ou a própria transmissão de informações, são universalmente acessíveis;

  • O Desenho Universal é seguro: eventuais erros na utilização de algum recurso não geram riscos para a saúde e integridade de ninguém;

  • O Desenho Universal não requer esforço: seus recursos devem ser simples de operar;

  • O Desenho Universal é abrangente: qualquer pessoa de qualquer tamanho ou com variadas limitações tem plenas capacidades de interagir com qualquer estrutura ou recurso – esse princípio trata principalmente das dimensões estruturais.

Exemplos de equipamentos do Desenho Universal

Em algumas leis que regulam a acessibilidade para deficientes, algumas recomendações são feitas em questões como as dimensões de um ambiente e os produtos utilizados na sua construção. Mas nenhuma vai tão fundo quanto o conceito do Desenho Universal.

Essas leis, por exemplo, não estão tão interessadas assim no puxador de uma gaveta da mesa de um escritório, por exemplo. O Desenho Universal já apresenta modelos democráticos para que todos consigam puxá-la, até pessoas sem uma das mãos, por exemplo.

O Desenho Universal está em grandes recursos – como nas rampas em entradas principais ao invés de escadas – e também nos pequenos. Vamos pensar nessa mesma pessoa para quem o puxador de mesa universal é extremamente útil: será que uma maçaneta redonda, no modelo padrão, é o mais adequado para ela?

O mesmo vale para interruptores, pias e outros recursos mais voltados para o micro. Em tudo o Desenho Universal está presente, e a todo o tempo ele busca tornar a acessibilidade para deficientes indistinguível da maneira com que a estrutura se apresenta.

Esses são apenas alguns exemplos, pois para verdadeiramente trabalhar a acessibilidade para deficientes através do Desenho Universal, cada estrutura se beneficia de uma avaliação 360. Arquitetos preparados para aplicar o conceito possuem um olhar clínico, que sempre se questiona sobre a usabilidade dos materiais aplicados.

O Desenho Universal, infelizmente, não é tão aplicado no mundo, e no Brasil então… estamos engatinhando e lentamente descobrindo suas possibilidades. É um assunto complexo, mas prazeroso de se entender, e um que precisa ser buscado por arquitetos, projetistas e engenheiros o quanto antes.

Os tempos estão mudando, e o papel do engenheiro na sociedade é adaptar estruturas para os novos caminhos. Quer saber mais sobre isso? Então vamos continuar a conversa no próximo artigo!

Acessibilidade para deficientes na área da saúde

Acessibilidade para deficientes na área da saúde

A acessibilidade para deficientes deve estar presente em qualquer lugar, desde a rua até os prédios, públicos ou privados. Ter boa acessibilidade diz respeito à cidadania, e todos os esforços devem ser direcionados para a inclusão total de todas as pessoas.

Isso é lei. Desde 2004, todos os empreendimentos devem levar a ABNT NBR 9050 em consideração na hora de construir ou reformar ambientes abertos ao público. Isso é ainda mais importante quando tratamos da área da saúde, com estruturas como hospitais e unidades básicas de atendimento, como os postinhos e as UBS.

Neste artigo, vamos elaborar um pouco mais sobre a acessibilidade para deficientes e mobilidade reduzida na área da saúde, mostrando o que precisa ser feito para que os direitos de todos os cidadãos sejam respeitados. Vamos ver?

Acessibilidade para deficientes no caminho à unidade de saúde

Antes de efetivamente chegar à unidade de saúde, a pessoa com deficiência precisa de equipamentos urbanos específicos para conseguir se locomover com segurança e independência. Nos arredores da unidade de saúde, a recomendação é que, em conjunto com o Departamento de Trânsito da cidade, seja criada uma rota acessível.

Acessibilidade para deficientes no caminho à unidade de saúde

Essa rota é definida por um caminho único, desobstruído e sinalizado que leva até a unidade de saúde. Nisso, podemos destacar o piso tátil, calçadas sem buracos e até mesmo uma convergência das ruas e avenidas para uma principal, que conecta a cidade à unidade.

Também recomenda-se a instalação de semáforos com avisos sonoros ao invés de apenas visuais. Com isso, a acessibilidade para pessoas com deficiência se torna ainda mais abrangente. Também é importante adaptar pelo menos um acesso ao transporte público – aliás, um para cada modalidade.

Para quem vem de carro, a vaga exclusiva já é padrão quando falamos de acessibilidade para pessoas com deficiência. 2% do número total de vagas deve ser exclusivo, assim como 5% para pessoas idosas.

Equipamentos urbanos para permitir maior mobilidade

E se o que a gente disse parece muito, ainda tem muito o que uma unidade de saúde deveria oferecer em termos de acessibilidade para pessoas com deficiência. Em conjunto com a prefeitura e o departamento de trânsito, adaptações devem ser criadas para o mobiliário urbano: postes, orelhões, lixeiras, etc.

A largura mínima para a transposição de um poste é de 0,80 metros. Isso significa que o poste deve estar em uma posição em que 0,80 metros devem ser necessários para circulá-lo e prosseguir o caminho. Isso garante a rota acessível de que estávamos falando.

As lixeiras também precisam estar suspensas ao longo do percurso e nos arredores da unidade de saúde, evitando acidentes e trombos.

Mas até agora só estamos falando do acesso à unidade de saúde. Que tal falarmos mais sobre a acessibilidade para deficientes dentro da própria estrutura?

Acessibilidade para deficientes dentro da unidade de saúde

As rotas acessíveis não param quando a unidade de saúde começa. Na verdade, elas circulam seu interior e saem mais uma vez para a rua, e seguem até o ponto de acesso mais próximo ao transporte público. Às vezes ela segue até avenidas de ligação, garantindo que pessoas com deficiência possam fazer o trajeto de volta pra casa sozinhas e com independência.

Ao entrar na unidade de saúde, é importante pensar nos desníveis. Eles devem ser vencidos com rampas ou com os elevadores de acessibilidade, soluções mais seguras e modernas.

Nas catracas para o acesso, deve haver pelo menos um portão para que pessoas com deficiência possam passar sem dificuldades. A catraca limita a movimentação e é uma inimiga da acessibilidade para deficientes.

Acessibilidade para deficientes dentro da unidade de saúde

Entrando na unidade de saúde, as portas devem conter vão livre de pelo menos 0,80 m, espaço suficiente para que cadeirantes e pessoas portadoras de outras deficiências consigam manuseá-las. A altura mínima é de 2,10 m. Isso vale tanto para portas de acesso quanto para elevadores.

Na parte inferior, é recomendado que essas portas possuam guardas inferiores e nos batentes para absorver o impacto de bengalas, cadeiras e andadores. Acionamentos manuais devem estar a 0,90 m ou 1,10 m do piso acabado no mínimo.

Escadas e corrimãos

As escadas no interior da unidade de saúde devem conter corrimãos nos dois lados sempre. Se houver degraus, deve haver corrimão. Eles precisam estar a duas alturas, 0.92 m e 0,70 m do piso, medidos da face superior dos corrimãos.

A largura dos corrimãos deve ser de 3,5 a 4 centímetros, sendo feitos preferencialmente sem arestas vivas para não machucar os usuários.

Todos os degraus devem possuir sinalização tátil nas suas extremidades também para evitar acidentes. Elas devem ser em cores contrastantes com o piso e possuírem largura entre 0,25 m e 0,60 m.

Os sanitários

Como todos os sanitários em espaços públicos ou com grande concentração de pessoas, os da unidade de saúde precisam estar adaptados.

A razão é de uma cabine para cada gênero, sendo que eles precisam conter barras de apoio, sanitário adaptado e porta que separa o resto do ambiente da própria cabine de acessibilidade para deficientes.

Essas são apenas poucas recomendações, um compilado de informações de várias leis, normas técnicas e estatutos. Você consegue conferir o documento base, criado pela Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência e a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, seguindo este link.

Agora que já ilustramos um pouco mais sobre a situação da acessibilidade para deficientes na área da saúde, que tal falarmos um pouco sobre o lazer? Vamos continuar a conversa no próximo artigo!

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